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Providência Divina

Sábado, 14.01.12

 

Providência é, neste mundo, tudo o que se faz dispondo as coisas de modo que se realizem objetivos de ordem e harmonia, visando o bem e a felicidade das criaturas, com a plena satisfação das suas reais necessidades, sejam físicas ou espirituais.
Segundo anotações de Kardec no livro A Gênese, a providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte(...), continua o codificador, (...) tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mínimas. É nisto que consiste a ação providencial.
Está intimamente no Universo, manifestando-se em todas as coisas e por meio de leis admiráveis e sábias. Tudo foi disposto pelo amor do Pai, soberanamente bom e justo, para o bem de seus filhos, desde as mais elementares ações para a manutenção da vida orgânica e a sua transmissão, garantindo a perpetuação da espécie, até a faculdade superior do livre-arbítrio, que dá ao homem o mérito da conquista consciente da felicidade, através da observância de suas leis.
A providência é, ainda, o Espírito Superior, é o anjo velando sobre o infortúnio, é o consolador invisível cujas inspirações reaquecem o coração gelado pelo desespero, cujos fluidos vivificantes sustentam o viajor prostrado pela fadiga; é o farol aceso no meio da noite, para a salvação dos que erram sobre o mar tempestuoso da vida.
Concluindo, podemos afirmar que é o Amor Divino a manifestar-se em nós, através da circunstância que, por sua vez, é a vontade do Criador em favor da criatura.
Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores íntimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?
Para responder a esta questão, temos um exemplo anotado por Allan Kardec, tirado de uma instrução dada por um Espírito, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em 1867:
O homem é um pequeno mundo, que tem como diretor o Espírito e como dirigido o corpo. Nesse universo, o corpo representará uma criação cujo Deus seria o Espírito. (Compreendei bem que aqui há uma simples questão de analogia e não de identidade.) Os membros desse corpo, os diferentes órgãos que o compõem, os músculos, os nervos, as articulações são outras tantas individualidades materiais, se assim se pode dizer, localizadas em pontos especiais do referido corpo. Se bem seja considerável o número de suas partes constitutivas, de natureza tão variada e diferente, a ninguém é lícito supor que se possam produzir movimentos, ou uma impressão em qualquer lugar, sem que o Espírito tenha consciência do que ocorra. Há sensações diversas em muitos lugares simultaneamente? O Espírito as sente todas, distingue, e analisa, assina a cada uma a causa determinante e o ponto em que se produziu, tudo por meio do fluido perispirítico.
Análogo fenômeno ocorre entre Deus e a Criação. Deus está em toda parte, na Natureza, como o Espírito está em toda a parte, no corpo. Todos os elementos da criação se acham em relação constante com Ele, como todas as células do corpo humano se acham em contato imediato com o ser espiritual. Não há, pois, razão para que fenômenos da mesma ordem não se produzam de maneira idêntica num e noutro caso.
Um membro se agita: O Espírito o sente; uma criatura pensa: Deus o sabe. Todos os membros estão em movimento, os diferentes órgãos estão a vibrar; o Espírito ressente todas as manifestações, as distingue e localiza. As diferentes criações, as diferentes criaturas se agitam, pensam, agem diversamente: Deus sabe o que se passa e assina a cada um o que lhe diz respeito.
Daí se pode igualmente deduzir a solidariedade da matéria e da inteligência, a solidariedade entre si de todos os seres de um mundo, de todos os mundos e, por fim, de todas as criações com o Criador.”
(Quinemant)
Finalizando este sintético estudo, gostaríamos de deixar para meditação algumas palavras do nosso iluminado Allan Kardec, no seu livro A Gênese:
Compreendemos o efeito: já é muito. Do efeito remontamos à causa e julgamos da sua grandeza pela do efeito. Escapa-nos, porém, a sua essência íntima, como a da causa de uma imensidade de fenômenos. Conhecemos os efeitos da eletricidade, do calor, da luz, da gravitação; calculamo-los e, entretanto, ignoramos a natureza íntima do princípio que os produz. Será então racional neguemos o princípio divino, por que não o compreendemos? (...) Diante desses problemas insondáveis, cumpre que a nossa razão se humilhe. Deus existe: disso não poderemos duvidar. É infinitamente justo e bom; essa a sua essência. A tudo se estende a sua solicitude: compreendemo-lo. Só o nosso bem, portanto, pode ele querer. Donde se segue que devemos confiar nele: é o essencial. Quanto ao mais, esperemos que nos tenhamos tornado dignos de o compreender.

Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997
Site: www.autoresespiritasclassicos.com

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publicado por espiritismoluzdarazao às 19:01

Lei de Deus

Sábado, 14.01.12

 

Conceito de Lei: Regra de direito ditado pela autoridade estatal e tornada obrigatória para manter numa comunidade a ordem e o desenvolvimento.
O que é a Lei de Deus?
Também chamada Lei Divina ou Natural, é a Lei com a qual o Criador regula o funcionamento do Universo. Deus criou esta Lei , como a nos indicar o que devemos ou não fazer. É Lei natural, porque é a tendência natural da criatura respeitar esta Lei, e só somos felizes quando estamos em acordo com Ela.
É eterna e imutável como o próprio Deus; se assim não fosse não seria obra de Deus, e geraria o maior transtorno nas relações universais.
Segundo os Espíritos, respondendo a questão 621 de O Livro dos Espíritos, ela está gravada na consciência de cada um de nós. E podemos afirmar que isto assim se realiza desde o princípio da nossa existência, sendo este o porquê de estarmos sempre buscando a nossa evolução, através do aperfeiçoamento de nós mesmos.
O Criador, que é todo Sabedoria, ao criar esta Lei, instituiu a mecânica de equilíbrio do Universo. Quando desrespeitamo-la, não desequilibramos nada, a não ser nós mesmos (porque um desequilíbrio do microcosmo não pode alterar o macrocosmo), e desta forma somos induzidos a voltar à observância da Lei, pelos mecanismos da mesma. É o que chamamos de Lei de Causa e Efeito que, segundo orientação de nossos mentores da espiritualidade, é uma subdivisão da grande Lei.
Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o autor de tudo(...), afirmam os Espíritos na questão 617 de O Livro dos Espíritos, e continuam: O sábio estuda as leis da matéria, o homem de bem estuda e pratica as da alma.
Vem daí o próprio entendimento do que seja moral. Na questão 629 do livro citado, vemos a seguinte afirmativa: A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da Lei de Deus(...).
Em todos os tempos, Deus enviou até nós, mensageiros com a missão de nos fazer lembrar de suas leis. Moisés, Buda, Lao Tsé, entre outros, fizeram parte destes. Mas é em “Jesus” que vemos o modelo e o tipo mais perfeito que temos condição de aspirar na Terra, e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor.
Mas podemos nos perguntar: se o bem é a tendência natural, porque existe o mal? Não poderia Deus ter criado a Humanidade em melhores condições?
Deixamos a resposta com os Espíritos na questão 634 do já citado livro:
Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa que o homem escolha o caminho. Tanto pior para ele, se toma o caminho mau: mais longa será sua peregrinação. Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer; se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito ganhe experiência; é preciso, portanto, que conheça o bem e o mal. Eis por que se une ao corpo.
Como vimos, o mal não é criação divina, mas opção do homem quando se afasta de Deus, no seu incerto caminhar. E como conseqüência, o Arquiteto do Universo, na sua infinita Misericórdia, permite que o mal cure o mal, trazendo o homem de retorno à Ele.
Concluindo: podemos dizer que, como afirmam os Espíritos na questão 648 de “O Livro dos Espíritos”, a subdivisão da Lei Divina em outras leis pode ser usada, mas não em caráter absoluto, e sim com finalidades didáticas, porque, na verdade, toda a Lei está contida na máxima evangélica: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei.” – Jesus (João, 13: 34)

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publicado por espiritismoluzdarazao às 19:00

Visão Espírita de Deus

Sábado, 14.01.12


As revoluções comercial e industrial trouxeram para Humanidade um grande desenvolvimento tecnológico e científico, mas também uma grande mudança na maneira de pensar.
A fé e a existência de Deus passaram a ser questionadas, buscando uma lógica e um bom senso apoiado nestas mudanças realizadas.
A igreja, que até então era a dona da verdade, começava a ser desmentida pelos fatos. A idéia da criação em sete dias de 24 horas, o aparecimento do homem na Terra há 4.000 anos antes de Cristo já não tinha apoio científico, e as divergências da moral pregada e da moral praticada começava a jogar por terra a existência de Deus, e o materialismo passou a se tornar uma tendência crescente entre os homens.
É nesse momento de amadurecimento da Humanidade, que os Espíritos nos induzem a ter a verdadeira compreensão de Deus.
A questão é tão importante para a formação de uma nova mentalidade, que o Codificador dedica todo o primeiro capítulo da primeira parte de O Livro dos Espíritos a um estudo sobre Deus, aprofundando o tema mais tarde em vários artigos da Revista Espírita e em outras obras de sua autoria.
Allan Kardec trata o tema com tanta competência que, já na primeira pergunta de “O livro dos Espíritos”, questiona: “O que é Deus ?”
Notamos sua sabedoria já no formular da questão; a pergunta é “O que é Deus”, e não “Quem é Deus”. Desta forma, o grande pensador francês tirou a idéia de personalidade e individualidade do Criador, pensamento este muito bem desenvolvido pelo filósofo italiano Pietro Ubaldi em sua obra A Grande Síntese, quando estuda a idéia do Monismo.
É então que os Espíritos nos respondem: Deus é a Inteligência Suprema, Causa primária de todas as coisas, nos mostrando o caráter de Criador do Ser Supremo. Tudo o que existe veio Dele, ou seja, Ele é a Causa primária, ou primeira (como querem alguns), de tudo o que existe. E para mostrar aos intelectuais de então que esta afirmativa tem base científica, os Espíritos nos esclarecem sobre a prova da existência de Deus: um axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa, esta é a prova da existência de Deus. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.
Portanto, se há uma casa em algum lugar, alguém a construiu, se existe uma determinada música, houve um compositor que a fez. Desta forma, procuremos o que não pode ser obra do homem, e veremos que houve uma Entidade Superior que assim a fez.
Não importa, como diz o próprio Codificador em seu livro Obras Póstumas, se chamamos essa Causa Primária de Deus, Jeová, Alá, Brama, Fo-Hi, Grande Espírito, etc. O que temos que ver é que se os efeitos são inteligentes, é sinal que a causa é inteligente. E é devido à perfeição dos efeitos que os Espíritos nos mostram ser Deus, não um ser inteligente, mas, a Inteligência Suprema.
Uma outra questão tratada pelo Codificador que devemos aqui lembrar, é a da natureza divina. Pode o homem ver Deus? Entender a sua intimidade ? E ele responde no item 8, do capítulo 2, do livro “A Gênese”:
Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-lo, ainda nos falta o sentido próprio que só se adquire por meio de completa depuração do Espírito. Mas se não pode penetrar na essência de Deus, o homem, desde que aceite como premissa a sua existência, pode pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser.

Atributos Divinos

Deus é eterno. Se tivesse tido começo, alguma coisa havia existido antes dele, ou ele teria saído do nada, ou então, um ser anterior o teria criado. É assim que, degrau a degrau, remontamos ao infinito na eternidade.
É imutável. Se tivesse sujeito à mudança, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo.
É imaterial. Sua natureza difere de tudo a que chamamos matéria, pois do contrário, ele estaria sujeito às flutuações e transformações da matéria e, então, já não seria imutável.
É único. Se houvesse muitos Deuses, haveria muitas vontades e, nesse caso, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.
É onipotente. Se ele não dispusesse de poder soberano, alguma coisa ou alguém haveria mais poderoso do que Ele; não teria feito todas as coisas e as que ele não houvesse feito seriam obra de outro Deus, então Ele não seria único.
É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas mínimas coisas como nas maiores e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça, nem da sua bondade. A soberana bondade implica a soberana justiça, porquanto se Ele procedesse injustamente ou com parcialidade numa só circunstância que fosse, ou com relação a uma só das criaturas, já não seria soberanamente justo, e em conseqüência, já não seria soberanamente bom.
Deus é infinito em todas as suas perfeições. Se O supuséssemos imperfeito em um só de seus atributos, se Lhe tirássemos a menor parcela de eternidade, de imutabilidade, de imaterialidade, de unidade, de onipotência, de justiça e de bondade, poderíamos imaginar um ser que possuísse o que lhe faltasse, e esse ser, mais perfeito do que ele, é que seria Deus.
Para finalizar, gostaríamos de lembrar de um outro ponto tratado pelos Espíritos, quando respondem a questão 536 de O Livro dos Espíritos: (...) Deus não exerce ação direta sobre a matéria (...), como a definir para todos nós que o Criador tem em seus Filhos já mais evoluídos, verdadeiros co-criadores a auxiliá-Lo na execução de Suas Leis.

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publicado por espiritismoluzdarazao às 18:58

Deus

Sábado, 14.01.12


Evolução da idéia de Deus

É de todos os tempos a crença em uma entidade superior.
Na questão n° 6 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta aos Espíritos, se esse sentimento íntimo que temos da existência de Deus, não é fruto da educação que recebemos. Eles respondem que não: “Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento ?”
Já no homem primitivo, naquele momento em que podemos chamar de “horizonte agrícola”, ou seja, o mundo das primeiras formas sedentárias de vida social, vemos duas formas gerais de racionalização do universo: a concepção da Terra-Mãe e a do Céu-Pai. O céu é o deus-pai, que fecunda a terra, deusa-mãe.
Na civilização egípcia, há uma inversão de posições; o céu é a mãe e a terra é pai. Isso se dá devido à maior importância da terra ou do céu para a vida das tribos.
Com o desenvolvimento mental do homem, há um progresso natural da divindade, e o surgimento da mitologia popular, impregnada de magia.
Num outro momento, encontramos a primeira forma de religião antropomórfica, conseqüência da experiência concreta do culto dos ancestrais: deuses-lares, manes e deuses-locais, como os deuses dos “nomos” egípcios, ou seja, das regiões do antigo Egito.
Esse entendimento humano de vários deuses, neste momento evolutivo, é explicado por Kardec na questão 521 de “O Livro dos Espíritos”, como uma confusão feita pelos antigos, dos espíritos com o próprio Criador: Os antigos fizeram, desses Espíritos, divindades especiais. As musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como os deuses Lares e Penates, simbolizavam os Espíritos protetores da família.(...)
Emmanuel, o iluminado guia de Chico Xavier, conta em seu livro, A Caminho da Luz, que já no antigo Egito, sabia-se da existência do Deus-Único:
Nos círculos esotéricos, onde pontificava a palavra esclarecida dos grandes mestres de então, sabia-se da existência do Deus Único e Absoluto, Pai de todas as criaturas, e Providência de todos os seres, mas os sacerdotes conheciam igualmente, a função dos Espíritos prepostos de Jesus, na execução de todas as leis físicas e sociais da existência planetária (...)
Desse ambiente reservado de ensinamentos ocultos, partiu então, a idéia politeísta dos numerosos deuses(...)
Mas foi em Moisés, na sua qualidade de mensageiro Divino, que vimos pela primeira vez a popularização da idéia do Deus Único. Voltemos ao livro já citado de Emmanuel:
Todas a raças da Terra devem aos judeus esse benefício sagrado, que consiste na revelação do Deus Único, Pai de todas as criaturas e Providência de todos os seres.
O Grande legislador dos hebreus trouxera a determinação de Jesus, com respeito à simplificação das fórmulas iniciáticas, para compreensão geral do povo. A missão de Moisés foi tornar acessíveis ao sentimento popular as grandes lições que os demais iniciados eram compelidos a ocultar.
Apesar da grandeza espiritual do líder hebreu, a inferioridade do povo daquela época, fez a necessidade de um entendimento humanizado de Deus, conforme vemos nos textos do Velho Testamento, onde o Criador é tratado como vingativo, sanguinário; o verdadeiro “Senhor dos Exércitos”.
A história de certa forma se repete com Jesus:
Desce dos Planos Maiores da Espiritualidade, aquele que é o Espírito mais evoluído que já pisou neste planeta, trazendo a idéia mais clara a respeito de Deus: Pai de toda a Humanidade.
O Deus do entendimento do Cristo não é o déspota zeloso e parcial, mas o Pai que acolhe a todos com sua infinita Misericórdia.
Ele está presente no amor do “Samaritano”, na recuperação daquela que era obsidiada por “Sete demônios” e na conversão de Saulo de Tarso.
Mas os “ditos cristãos” fizeram Dele, um ser à imagem e semelhança do homem. Novamente o ser vingativo que mandava queimar quem não seguisse seus preceitos, um ser misterioso, complicado, envolvido no “mistério da santíssima trindade”, que ninguém até hoje conseguiu entender.
Por isso, coube ao Espiritismo explicar, à luz da ciência e com a simplicidade dos verdadeiros Cristãos, o entendimento real do Criador.


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publicado por espiritismoluzdarazao às 18:56

História do Espiritismo

Sexta-feira, 06.01.12


Ao falarmos sobre História do Espiritismo, devemos diferenciar os fatos espíritas do Espiritismo propriamente dito. Os fenômenos espíritas aconteceram em todas as épocas da Humanidade. No livro do Velho Testamento, encontramos inumeráveis casos de prática mediúnica, obsessão, curas, que se naquele instante foram tidos como sobrenaturais, hoje, à luz da doutrina consoladora, são explicados com muita tranqüilidade. Por isso, quando falamos em história do Espiritismo, queremos falar daquele instante em que Arthur Conan Doyle nos afirma ter havido uma “invasão” das entidades desencarnadas.
O fato mais marcante deste período é sem dúvida o episódio de Hydesville, mas antes gostaríamos de citar dois médiuns maravilhosos que foram Emanuel Swedenborg e Andrew Jackson Davis, que tiveram importante atuação como precursores do Espiritismo.
O primeiro foi um sábio sueco que viveu no século XVIII, e que em suas incursões pela espiritualidade, nos antecipa o mundo que mais tarde Allan Kardec iria metodicamente estudar. O segundo, Jackson Davis, foi um excepcional médium americano contemporâneo das irmãs Fox. Dono de uma grande força profética, tem em seu currículo as profecias detalhadas que fez antes de 1856 do automóvel e da máquina de escrever.
O próprio aparecimento do Espiritismo foi por ele previsto nos seus “Princípios da Natureza”, publicados em 1847, onde ele diz:
“É verdade que os Espíritos se comunicam entre si, quando um está no corpo e outro em esferas mais altas, e, também, quando uma pessoa em seu corpo é inconsciente do influxo e, assim, não se pode convencer do fato. Não levará muito tempo para que essa verdade se apresente como viva demonstração. E o mundo saudará com alegria o surgimento dessa era, ao mesmo tempo em que o íntimo dos homens será aberto e estabelecida a comunicação espírita, tal qual a desfrutam os habitantes de Marte, Júpiter e Saturno”.

Hydesville

O episódio de Hydesville, vilarejo situado próximo à cidade de Rochester, no condado de Wayne, nos Estados Unidos, passou à história como um marco do Espiritismo.
Numa tosca cabana residia uma família protestante composta por John Fox, sua mulher Margareth e as filhas menores Margareth e Catherine (Kate).
Nessa modesta residência, se verificaram fatos estranhos que alarmaram seus moradores e toda a vizinhança: ruídos, pancadas, batidas, punham todos em desassossego. Ninguém descobria sua origem.
As filhas do casal Fox, Margareth e Kate, no dia 31 de Março de 1848 quando as pancadas (em inglês chamadas raps) se tornaram mais persistentes e fortes, resolveram desafiar o mistério travando um diálogo com o que todos julgavam fosse o diabo.
O batedor invisível contou sua história: Chamava-se Charles Rosma, fora um vendedor ambulante hospedado naquela casa pelo casal Bell (antigos moradores), que ali o assassinaram para roubar-lhe a mercadoria e o dinheiro que trazia . Seu corpo fora sepultado no porão.
Graças ao depoimento de Lucrécia Pelves, criada dos Bell, Fox e outros desceram à adega, onde cavaram, encontrando tábuas, alcatrão, cal e cabelos humanos, bem como utensílios do mascate. Seu corpo, todavia, só apareceu em 1904 (56 anos depois), quando uma parede da casa ruiu, deixando descoberto o esqueleto do morto.
Assim, os fatos vieram confirmar a estranha denúncia de um morto, que saía das trevas para relatar a ação criminosa de que fora vítima, havia anos.
Entretanto é preciso considerar o episódio em suas verdadeiras finalidades: “É para unir a humanidade e convencer as mentes céticas da imortalidade da alma”, disseram os espíritos; era de fato o início de um movimento de caráter quase universal tendente a despertar a humanidade para a vida espiritual, que seria revelada, pouco depois, pela codificação Espírita, tarefa gigantesca a ser realizada pelo grande missionário Allan Kardec.
Como queriam os espíritos, o acontecimento repercutiria na Europa, despertando as consciências e, ao lado dos fenômenos das “Mesas Girantes”, prepararia o advento do Espiritismo.

As Mesas Girantes


Paralelamente ao episódio das irmãs Fox, a Europa e também os Estados Unidos puderam observar outros fenômenos de causa até então desconhecida. Eram pancadas, ruídos e movimentos de objetos, a partir da influência de certas pessoas, designadas Médiuns, que podiam de alguma sorte provocá-los à vontade, o que permitiu repetir-se as experiências. Serviu-se, para isso, sobretudo, de mesas; não que fosse esse o único objeto possível a dar condições a tais fenômenos, mas por seu caráter de comodidade e de facilidade para se assentar à sua volta. Obteve-se, dessa maneira, a rotação da mesa, em seguida de movimentos em todos os sentidos, erguimentos, pancadas com violência, etc.
Até então, os fatos eram explicados somente por uma suposta ação magnética ou de uma corrente elétrica, mas não tardou a se reconhecer nesses fenômenos, efeitos inteligentes, porque o movimento obedecia a uma vontade; a mesa se dirigia à direita ou à esquerda, sobre um ou dois pés, batendo o número de pancadas convencionadas para a obtenção de respostas, etc. Desde então ficou evidente que a causa não era puramente física, e segundo o axioma: “todo efeito tem uma causa, todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente”, concluiu-se que a causa desse fenômeno deveria ser uma inteligência.
A princípio pensou-se que a natureza desta inteligência seria um reflexo da própria inteligência do médium ou dos assistentes, mas estudos posteriores revelaram a impossibilidade destas afirmativas. Foi demonstrado pelos próprios Espíritos que ninguém mais eram, que homens que já não viviam sob a roupagem física deste planeta; que a matéria poderia ser influenciada por eles, usando fluidos fornecidos pelos médiuns, gerando assim as manifestações físicas e inteligentes.
As comunicações por pancadas eram lentas e incompletas; reconheceu-se que adaptando-se um lápis a uma cesta ou a uma prancheta ou a outro objeto qualquer sob o qual colocavam-se os dedos, esse objeto se punha em movimento e traçava caracteres. Mais tarde, certificou-se que esses objetos não eram senão acessórios os quais podia-se dispensar. A experiência demonstrou que o espírito agindo sobre um corpo inerte para dirigi-lo à vontade, poderia agir do mesmo modo sobre o braço ou a mão, a fim de conduzir o lápis.
Desde este momento, as comunicações não tiveram mais limites e a troca de idéias pôde ser feita com tanta rapidez e desenvolvimento quanto entre os vivos. Era um vasto campo aberto à exploração, à descoberta de um mundo novo: O mundo dos Espíritos.

Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho

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publicado por espiritismoluzdarazao às 19:05

Allan Kardec

Sexta-feira, 06.01.12

 


A missão


Emmanuel, Espírito que teria participado da equipe de Espíritos orientadores durante o período de atividades de Allan Kardec no plano físico, nos afirma nos capítulos XXII e XXIII do livro “A Caminho da Luz”, o seguinte:
“(...)nascia Allan Kardec (...), com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus Cristo.” “Consolador da Humanidade, segundo as promessas do Cristo, o Espiritismo vinha esclarecer os homens, preparando-lhes o coração para o perfeito aproveitamento de tantas riquezas do Céu.”
E no livro “O Consolador”, completa: “O Espiritismo não pode guardar a pretensão de exterminar a outras crenças, parcelas da verdade que a sua doutrina representa, mas, sim, trabalhar por transformá-las, elevando-lhes as concepções antigas para o clarão da verdade imortalista. A missão do Consolador tem que verificar junto das almas e não ao lado das gloríolas efêmeras dos triunfos materiais.(...)”
Voltando ao livro “A Caminho da Luz”, ao segundo dos capítulos indicados temos:
“A tarefa de Allan Kardec era difícil e complexa. Competia-lhe reorganizar o edifício desmoronado da crença, reconduzindo a civilização às suas profundas bases religiosas.” E no capítulo XXIV continua: “Somente o Espiritismo, prescindindo de todas as garantias terrenas, executa o esforço tremendo de manter acesa a luz da crença, nesse barco frágil do homem ignorante do seu verdadeiro destino(...)”.

Dados Biográficos

Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon, na França, a 3 de outubro de 1804, de uma família antiga que se distinguiu na magistratura e na advocacia. Apesar disso não seguiu essas carreiras, desde a primeira juventude, sentiu-se inclinado ao estudo das ciências e da filosofia.
Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos mais eminentes discípulos desse célebre professor e um dos zelosos propagandistas do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu sobre a reforma do ensino na França e na Alemanha.
Dotado de notável inteligência e atraído para o ensino pelo seu caráter e pelas suas aptidões especiais, já aos catorze anos ensinava o que sabia àqueles seus condiscípulos que haviam aprendido menos do que ele. Foi nessa escola que lhe desabrocharam as idéias que mais tarde o colocariam na classe dos homens progressistas e dos livres pensadores.
Nascido sob a religião católica, mas educado num país protestante, os atos de intolerância que por isso teve de suportar, no tocante a essa circunstância, cedo o levaram a conceber a idéia de uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silêncio com o intuito de alcançar a unificação das crenças. Faltava-lhe, porém, o elemento indispensável à solução desse grande problema.
O Espiritismo veio, a seu tempo, imprimir-lhe especial direção aos trabalhos.
Concluídos seus estudos, voltou para a França. Conhecendo a fundo a língua alemã, traduzia para a Alemanha diferentes obras de educação e de moral e as obras de Fénelon, que o tinham seduzido de modo particular.
Era membro de várias sociedades sábias, entre outras, da Academia Real de Arras, que no concurso de 1831 lhe premiou uma notável memória sobre a seguinte questão: Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?
De 1835 a 1840, fundou em sua casa, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia Comparada, Astronomia, etc..
Preocupado sempre com o tornar atraentes e interessantes os sistemas de educação, inventou, ao mesmo tempo, um método engenhoso de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História da França, tendo por objetivo fixar na memória as datas dos acontecimentos de maior relevo e as descobertas que iluminaram cada reinado. Entre suas numerosas obras de educação, se destacam as seguintes: Plano proposto para melhoramento da instrução pública (1828); Curso Prático e teórico de Aritmética (1824); Gramática Francesa Clássica (1831); entre outras.
Pelo ano de 1855, posta em foco a questão das manifestações dos Espíritos, o professor Rivail entregou-se a observações perseverantes sobre esse fenômeno, cogitando principalmente de lhe deduzir as conseqüências filosóficas. Entreviu, desde logo, o princípio de novas leis naturais: as que regem as relações entre o mundo visível e o mundo invisível. Reconheceu, na ação deste último, uma das forças da natureza, cujo conhecimento haveria de lançar luz sobre uma imensidade de problemas tidos por insolúveis, e lhe compreendeu o alcance, do ponto de vista religioso.
Em 1857, quando da publicação da primeira edição de “O Livro dos Espíritos” foi que surgiu pela primeira vez o nome Allan Kardec. Vendo a necessidade de diferenciar suas obras exclusivamente didáticas das espíritas, o até então professor Rivail teve a idéia de usar um pseudônimo. Foi aí que seu guia espiritual lhe sugeriu o nome Allan Kardec, lhe dizendo ter sido um companheiro seu nos tempos dos druídas, quando ele tinha este nome.
Fundou em Paris, a 1º de abril de 1858, a primeira Sociedade Espírita regularmente constituída, sob a denominação de “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”, cujo fim exclusivo era o estudo de quanto possa contribuir para o progresso da nova ciência. Allan Kardec se defendeu, com inteiro fundamento, de coisa alguma haver escrito debaixo da influência de idéias preconcebidas ou sistemáticas. Homem de caráter frio e calmo observou os fatos e, de suas observações, deduziu as leis que os regem. Foi o primeiro a apresentar a teoria relativa a tais fatos e a formar com eles um corpo de doutrina, metódico e regular.
Data do aparecimento de “O Livro dos Espíritos” a fundação do Espiritismo que, até então, só contara com elementos esparsos, sem coordenação, e cujo alcance nem toda gente pudera apreender.
Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a tomar da obra e o último a deixá-la, Allan Kardec sucumbiu, a 31 de março de 1869, quando se preparava para uma mudança de local, imposta pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações.
Morreu conforme viveu: trabalhando. Sofria, desde longos anos, de uma enfermidade do coração, que só podia ser combatida por meio do repouso intelectual e pequena atividade material. Consagrado, porém, todo inteiro à sua obra, recusava-se a tudo o que pudesse absorver um só que fosse de seus instantes, à custa das suas ocupações prediletas. Deu-se com ele o que se dá com todas as almas de forte têmpera: a lâmina gastou a bainha.
Um homem houve de menos na terra; mas, um grande nome tomava lugar entre os que ilustraram este século ; um grande Espírito fora retemperar-se no infinito, onde todos os que ele consolara e esclarecera lhe aguardavam impacientes a volta!
(Texto parcialmente transcrito da Revista Espírita, maio de 1869.)

“Obras Póstumas”, Biografia de Allan Kardec.

Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997
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Obras Básicas

Sexta-feira, 06.01.12



A codificação do Espiritismo, em seus aspectos inseparáveis e inalienáveis de Filosofia, Ciência e Religião, compreende as seguintes obras, o chamado “Pentateuco Espírita”:

1) O Livro dos Espíritos
2) O Livro dos Médiuns
3) O Evangelho Segundo o Espiritismo
4) O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo
5) A Gênese (Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo)
A ordem de publicação das obras da Codificação não foi arbitrária, tendo obedecido à orientação da equipe de Espíritos Superiores que assistiam Kardec.

O Livro dos Espíritos

O Livro dos Espíritos, a primeira obra que levou o Espiritismo a ser considerado de um ponto de vista filosófico, pela dedução das conseqüências morais dos fatos; considerou todas as partes da doutrina, tocando nas questões mais importantes que ela suscita, foi, desde os seu aparecimento, o ponto para onde convergiram espontaneamente os trabalhos individuais.
Contém a doutrina completa, como ditaram os próprios Espíritos, com toda a sua filosofia e todas as suas conseqüências morais. É a revelação do destino do homem, a iniciação no conhecimento da natureza dos Espíritos e nos mistérios da vida de além túmulo. Quem o lê compreende que o Espiritismo objetiva a um fim sério, que não constitui frívolo passatempo.
Os princípios básicos da doutrina espírita são ali expostos de forma lógica, por meio de diálogo com os Espíritos, às vezes comentados por Kardec, e, embora constitua, pelas importantes matérias que versa, o mais completo tratado de Filosofia que se conhece, sua linguagem é simples e direta, não se prendendo a preciosismos de sistemas dificilmente elaborados.
Os assuntos tratados na obra, com a simplicidade e a segurança das verdades evangélicas, distribuem-se homogeneamente, constituindo, por assim dizer, um panorama geral da Doutrina, desenvolvida, nas suas facetas específicas, nos demais volumes da codificação, que resulta, assim, como um todo granítico e conseqüente demonstrativo de sua unidade de princípios e conceitos, características de sua grandeza.
A sua primeira edição era em formato grande, in-8º, com 176 páginas de texto, e apresentava o assunto distribuído em duas colunas. Quinhentas e uma perguntas e respectivas respostas estavam contidas nas três partes em que então se dividia a obra: “Doutrina Espírita”, “Leis Morais”, “Esperanças e Consolações”.
A partir da 2ª edição, “O Livro dos Espíritos” saiu modificado, já igual ao que temos hoje. São 1019 perguntas e respostas divididas em 4 partes: “Das causas primárias”, “Do mundo espírita ou mundo dos espíritos”, “Das leis morais” e “Das esperanças e consolações”. Partes estas que são desenvolvidas nas suas outras 4 obras:
“Das causas primárias” » “A Gênese”
“Do mundo espírita ou mundo dos espíritos” » “O Livro dos Médiuns”
“Das leis morais” » “O Evangelho Segundo o Espiritismo”
“Das esperanças e consolações” » “O Céu e o Inferno”

O Livro dos Médiuns

O Livro dos Médiuns, destina-se a guiar os que queiram entregar-se à prática das manifestações, dando-lhes conhecimento dos meios próprios para se comunicarem com os espíritos. É um guia, para os médiuns; e o complemento do Livro dos Espíritos.
Sua primeira edição deu-se em janeiro de 1861, que englobava, outrossim, as “Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas”, publicadas em 1858. A edição definitiva é a segunda, de outubro de 1861.
Lê-se no frontispício da obra que ela “contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.”
Nesse livro expõe-se, conseqüentemente, a parte prática da Doutrina, mediante o estudo sistemático e perseverante, como queria Kardec, de sua rica e variada fenomenologia, com base na pesquisa, por método científico próprio, o que não exclui a experimentação e a observação, enfim, todos os cuidados para se evitar a fraude e chegar-se à evidência dos fatos.
Quase cento e cinqüenta anos depois de publicado, “O Livro dos Médiuns” é ainda o roteiro seguro para médiuns e dirigentes de sessões práticas. Os doutrinadores encontram em suas páginas abundantes ensinamentos, preciosos e seguros, que a todos habilitam à nobre tarefa de comunicação com os Espíritos, sem os perigos da improvisação, das crendices e do empirismo rotineiro, fruto do comodismo e da fuga ao estudo.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

Passada a fase de “revolução espiritual” com a publicação de “O Livro dos Espíritos” - contendo a filosofia e os princípios da doutrina -, e de “O Livro dos Médiuns” contendo a parte científica, era chegada a hora de lançar “O Evangelho Segundo o Espiritismo” - terceira obra da Codificação -, trazendo a explicação das máximas morais do Cristo à luz do Espiritismo.
Kardec não pretendeu com esta obra substituir o Evangelho de Jesus, como muitos possam pensar, mas dar-lhe uma explicação em concordância com a Nova Revelação.
São os próprios Espíritos quem nos afirmam no livro “Obras Póstumas”:
“Com esta obra, o edifício começa a libertar-se dos andaimes e já se lhe pode ver a cúpula a desenhar-se no horizonte”
Esta obra provocou a reação daqueles acostumados a ensinar a moral cristã à força de dogmas e explicações enigmáticas, ridículas e fantasiosas, e o que é pior, adulterando seus ensinamentos tendo como base interesses próprios, mesquinhos e criminosos.
Data de 1864 a primeira edição do Evangelho sob o título de “Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo”, sendo que a partir da 2ª edição passou a ter o título que hoje conhecemos, e só depois da 3ª edição (1865) com o texto novamente modificado por orientação dos Espíritos, teve seu conteúdo definitivo.

O Céu e o Inferno (ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo)

A quarta obra da Codificação foi lançada em agosto de 1865.
Já na “Revista Espírita” do mês seguinte afirma o Codificador sobre sua mais nova publicação:
“O título desta obra indica claramente o seu objetivo. Aí reunimos todos os elementos próprios para esclarecer o homem sobre o seu destino. Como nos nossos outros escritos sobre a Doutrina Espírita, aí nada introduzimos que seja produto de um sistema preconcebido, ou de uma concepção pessoal, que não teria nenhuma autoridade: tudo aí é deduzido da observação e da concordância dos fatos.”
Combatendo a idéia, que leva a tristes conseqüências, de que a morte põe fim a tudo, mostrando que o temor da morte, por outro lado, decorre menos do instinto de conservação do que mesmo do conhecimento e do juízo errôneos do que seja a vida espiritual, a que homens são levados por crenças espiritualistas mal informadas e provando o absurdo da doutrina das penas eternas, tendo em vista a bondade e a justiça de Deus, esta obra caracteriza o céu e o inferno, não como lugares de gozos perenes e improdutivos ou de sofrimentos atrozes, que nunca terminam, mas, racionalmente, como estados de consciência que o próprio Espírito cria e nos quais vive.

A Gênese (Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo)

Em janeiro de 1868, Allan Kardec publicava “A Gênese”, fechando, assim, o ciclo das obras da Codificação.
Notamos que as Revelações Divinas têm uma seqüência lógica. A primeira, a de Moisés, tem como obra inicial o livro “Gênesis”, a terceira, a dos Espíritos, têm como livro final “A Gênese”. Como vemos a revelação divina começa com “Gênesis” e termina com “A Gênese”, nos deixando deduzir de tal fato não só que há interligação entre elas, mas também, que toda a verdade está contida dentro destes valores e que cabe a nós analisá-la com muito carinho para o bem de nossa própria história evolutiva.
Sobre a Gênese escreveu Pedro Franco Barbosa em seu livro “Espiritismo Básico”:
“(...) Encerra, atendidos os métodos de trabalho adotados desde a obra inicial, de observância dos fatos, de sua universalidade e concordância, a série de livros da codificação e apresenta, na Introdução, as razões que fizeram da Doutrina uma obra monolítica, pelas conexões e coerência de seus preceitos, ou seja generalidade e concordância no ensino dos Espíritos, até hoje não refutado pelos homens, nem desmentido pelos acontecimentos.”
Nos próximos capítulos, Kardec nos mostra as características da Revelação Espírita, seu aspecto divino, originada que foi dos Espíritos Superiores; examinando, em seguida, Deus, e a difícil compreensão de Sua existência por parte dos homens; o papel da Ciência e os problemas de cosmogênese; o espaço; o tempo; os períodos geológicos de formação da terra; a gênese orgânica, a gênese espiritual, inclusive a encarnação e reencarnação dos Espíritos, a gênese mosaica e sua compreensão à luz da Ciência.
A apreciação dos milagres, considerando estes como fatos naturais explicados por leis ainda desconhecidas ou pouco estudadas, é também tema abordado nesta obra, e ainda , os milagres do Evangelho, a natureza de Jesus e os fatos de sua vida na Terra. Sobre as predições e a teoria da presciência, o Codificador faz lúcidas considerações, e na parte final faz uma advertência, suavizada por palavras de esperança, otimismo e fé, alertando a todos para os graves acontecimentos de nossa época de transição e da necessidade de nos enquadrarmos nos ensinos do Cristo como forma de realizarmos o nosso progresso e o progresso de todo o orbe.
Como vemos, a Codificação é uma verdadeira enciclopédia de ensinamentos a respeito da “Lei Maior da Vida” que rege nossos destinos, tendo sido realizada consoante com programação bem elaborada dos maiores da Espiritualidade do qual Allan Kardec, fazendo parte, foi seu executor neste plano da vida.

Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
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Meditação

Sábado, 24.09.11

Quando nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos, busca-me -: Eu sou Aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas!”

Quando se te extinguir o ânimo para arrastares as vicissitudes da vida e te achares na eminência de desfalecer, chama-me -: Eu sou a Força capaz de remover-te as pedras do caminho e sobrepor-te as adversidades do mundo!

Quando te faltar a calma, nos momentos de maior aflição e te considerares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-me -: Eu sou a Paciência que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar nas situações mais difíceis!”

Quando o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que ninguém pode inspirar-te confiança, vem a Mim -: Eu sou a Sinceridade, que sabe corresponder a franqueza de suas atitudes e excelsitudes de teus ideais!

Quando um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela por Mim -: Eu sou a Esperança, que te robustece a fé e te acalenta os sonhos!”

Quando duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções e o ceticismo te avassalar a alma, recorre a Mim -: Eu sou a Crença, que te inunda de luz e entendimento e te habilita para a conquista da felicidade!”

Quando te julgares incompreendido dos que te circundam e vires que em torno há indiferença: acerca-te de Mim -: Eu sou a Luz, sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos!”

Quando inclemente te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de Mim -: Eu sou o Refúgio em cujo seio encontrarás guarida para teu corpo e tranqüilidade para teu espírito!”

Quando te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos, grita por Mim -: Eu sou o Bálsamo que cicatriza as chagas e te minora os padecimentos!”

Quando a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, chama por Mim -: Eu sou a Alegria que insulfa um alento novo e te faz conhecer os encantos do teu mundo inferior!”

Quando a impiedade recusar-se a revelar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-me -: Eu sou o Perdão, que te levanta o animo e promove a reabilitação do teu espírito!”

Quando já não provares a sublimidade de uma afeição terna e sincera e te desiludires do sentimento do teu semelhante, aproxima-te de Mim -: Eu sou a Renúncia, que te ensina a olvidar ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo!”

E quando, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, a flor que desabrocha e a estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda. Chamo-me Amor, o remédio para todos os males que te atormentam o Espírito!

Eu sou Jesus!

Fonte: Autor Desconhecido

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A Soberania da Lei

Sábado, 24.09.11

Amai-vos uns aos outros — tal a lei soberana. Mas os homens, em sua ignorância e em seu egoísmo, desprezam-na, e mutuamente se hostilizam e se consomem.

Todavia, a Providência Divina, pondo sua. sabedoria ao serviço de sua misericórdia, faz que os homens, mesmo infringindo a lei, venham, afinal, a respeitá-la e cumpri-la. Deus tira dos próprios erros e insânias dos homens o meio de corrigi-los e regenerá-los.

Observando-se o leito de certos rios, vemos ali grande porção de seixos lisos, polidos, com. suas superfícies arredondadas e perfeitamente brunidas. No entanto, nem sempre foram assim. Antes, eram pontiagudos, disformes, arestosos. Entregues, porém, à corrente dos rios, eles se entrechocaram duramente arrastados pelo curso caudaloso das águas em épocas de enchente.

No decorrer desses repetidos embates periódicos, as arestas e os vértices desses seixos foram-se desgastando e polindo pelo atrito, até que, depois de muito se friccionarem, se tornaram lisos, como que envernizados por engenhosa arte.

Assim sucede com os homens. Lançados ao curso da vida, combatem-se, guerreiam-se, devo-ram-se. As paixões entrechocam-se num tumultuar constante. As competições e as rivalidades, em todas as classes, se sucedem continuamente. "O homem é o lobo do homem." Cobiça, orgulho, ciúmes, invejas, quais arestas aguçadas, vão-se ferindo reciprocamente, até que um dia, após longos e repetidos embates, acabam por se destruírem. Surge, então, o homem novo, caráter íntegro, lapidado em todas as suas facetas como o diamante lavrado por mão de habilíssimo artífice.

A justiça e a misericórdia divinas, agindo em concomitância, levam o homem a reconhecer a

soberania da lei. Tudo que a vingança dita, que a cobiça inspira, que o orgulho obriga, que o egoísmo, numa palavra, impõe, se consome e passa.

Só o amor é eterno, só o amor vence e permanece.

LIVRO: EM TORNO DO MESTRE

AUTOR: PEDRO DE CAMARGO – PSEUDÔNIMO DE VINICIUS

EDITORA: FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA

6ª EDIÇÃO – ANO DE PUBLICAÇÃO: 1939 (PÁG. 320-321)

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Saulo e Paulo

Sábado, 24.09.11

(Imagem simbólica do que seria Saulo de Tarso na era Cristã)


Saulo, ardendo em zelos, perseguia desapiedadamente os primitivos prosélitos do Cristianismo nascente.

Dirigindo-se certa vez a Damasco, respirando ameaças por todos os poros contra os discípulos do Senhor, teve uma visão quando se aproximou daquela cidade. Subitamente brilhou em redor dele uma luz celeste que o envolveu completamente; e ouviu uma voz dizer-lhe, em tom claro e distinto: Saulo, Saulo, porque me persegues?

Aturdido com o insólito fenómeno, Saulo retruca: Quem és tu, que me falas? Eu sou Jesus a quem persegues, responde a voz do céu; mas levanta-te e entra na cidade, e lá saberás o que deves fazer.

Levantou-se Saulo, e, abrindo os olhos, nada viu; e, guiado pelas mãos de outrem, entrou em Damasco.

Esse acontecimento transformou Saulo, o inimigo do Cristo, em Paulo, o grande pioneiro, o arauto incomparável do Cristianismo de Jesus.

Ora, porque será que o Senhor se manifestou ostensivamente ao adversário declarado de sua igreja, provocando-lhe de tal maneira a conversão?

A razão é simples. Saulo era inimigo de Jesus, porque o desconhecia; e Jesus era seu amigo, porque sabia muito bem quem era ele.

A verdade tem tido, e terá em todos os tempos, inimigos; porém, ela não é inimiga de ninguém. A verdade sabe que os que a combatem o fazem na ignorância do que ela seja. E Jesus é a verdade.

Quando os Saulos chegam a perceber e a sentir o esplendor da verdade, transformam-se logo em Paulos.

Demais, Saulo estava mais perto da verdade, perseguindo-a, que muitos dentre aqueles que a defendiam com os lábios.

A verdade não se deixa enganar; conhece perfeitamente os que dela se tornam dignos. Não julga pelas aparências; sonda o íntimo, penetra o âmago dos corações, revelando-se aos que de fato a buscam e querem.

O traço indelével do caráter de Saulo era a sinceridade. E' precisamente esse o caminho que conduz à verdade. Combatendo embora o Cristo, Saulo ia, sem perceber, ao. encontro da verdade, porque Jesus mesmo é a Verdade.

LIVRO: EM TORNO DO MESTRE

AUTOR: PEDRO DE CAMARGO – PSEUDÔNIMO DE VINICIUS

EDITORA: FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA

6ª EDIÇÃO – ANO DE PUBLICAÇÃO: 1939 (PÁG. 313-314)

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